15 anos se passaram e eu ainda continuo amando Slim Rimografia, o ‘Mr. Dinamite’

É complicado escrever sobre o Slim Rimografia aqui no RND, porque sempre que eu escrevo sobre, a parcialidade vem junto. Não consigo falar sobre Slim e não trazer todo o lado emocional que envolve o assunto para mim.

Todos que me conhecem sabem das inúmeras vezes que já falei sobre o Slim Rimografia. A história que irei contar pela décima vez sobre o Slim tá ficando tão chata quanto a história que o Emicida contava quando começou a ir em todos os programas de TV e sempre explicava o nome do disco “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que cheguei longe…“.

A história que o Emicida contava era sobre sua cachorrinha Afrodite, que roubou um pão da sua mão e ele mordeu a cachorrinha de volta (na inocência), com isso veio o nome da melhor mixtape da história do rap nacional, o melhor trabalho de toda carreira do artista, que nunca mais conseguiu ser tão bom quanto foi.

A história sobre o Slim Rimografia que eu sempre conto é essa… Se eu ouço rap hoje em dia é graças a dois artistas: DJ Jamaika e Slim Rimografia. Cada um desses artistas me fisgou em um determinado momento, primeiro foi Jamaika…

O ano era 1998 e o CD “Utopia (Se fosse sempre assim…)” do rapper de Brasília chegou até a minha casa, não sei ao certo em quais circunstâncias esse disco chegou, a única certeza que eu tenho é que esse disco chegou por intermédio da minha irmã. Eu sempre tive uma curiosidade enorme de perguntar para ela o porque de ter levado aquele disco lá para casa, já que ninguém ouvia rap por lá e eramos uma tipica família recatada e certinha do interior, naquela época, pelo menos no interior de Goiás, o rap não fazia parte de nada.

Nessa época eu morava em Anápolis, interior de Goiás, há poucos quilômetros de Goiânia. Em 2000 eu mudei com minha família para Brasília. Hoje existe um fato que não tem como ser driblado, que é que jamais saberei como esse disco do Jamaika chegou até minha casa, por que em 2014 minha irmã faleceu e dentre tantas coisas que eu não fiz junto com ela, uma dessas foi ter tido uma conversa sobre o por que dela ter levado esse disco do DJ Jamaika.

Continuando… Eu me apaixonei pelo disco “Utopia” e decorei todas as faixas  sem ao menos saber que aquilo era rap, eu me apaixonei por aquelas músicas de forma inocente e até hoje, esse é o único disco que eu sei todas as faixas decoradas, já que eu tenho uma grande dificuldade de decorar letras.

Após minha vivência em Brasília, uma cidade onde já foi o grande polo de rap do país; eu fui conhecendo alguns outros nomes do rap da cidade, como Tribo da Periferia, Tropa de Elite, Viela 17, Cirurgia Moral e todos esses rappers que faziam sucesso com algum hit que sempre bombava pela cidade.

DJ Jamaika a esquerda e Japão do Viela 17 a direita.

Os anos passaram e a realidade que eu vivia não era uma realidade na qual o rap fazia parte. Então, naturalmente eu fui parando de ouvir rap, por que eu era um adolescente e todo adolescente acha que precisa fazer parte de algum grupo e nenhum grupo ouvia rap e todo o meu circulo de amigos e social também não ouvia nem um pouco rap.

Entre 2002 e 2005 eu parei de ouvir rap, eu só ouvia aquilo que tocava na Jovem Pan e quem é dessa época sabe que a Jovem Pan não tocava rap, funk e sertanejo como ela toca hoje. Só aparecia por lá o Pop e o Rock nacional, além de muitas coisas gringas.

Booom, de repente, assim do nada, uma menina muito bonita surge na minha escola e consequentemente na minha vida, ela tinha um jeito próprio, um estilo que chamava atenção, ela era uma garota impactante. Ouvia rap e era uma grande fã de Slim Rimografia e nessa de me aproximar dela, acabei me aproximando também dos seus gostos pessoais e quando eu vi, eu estava apaixonado tanto por ela como pelas músicas do Slim. No final, o único amor que durou foi o pelo Slim,

Desde então, Slim Rimografia é o meu artista favorito, nunca mudou, nunca vai mudar, mesmo ele indo ao BBB e ficando por lá como coqueiro. Isso não muda o fato de que eu acho ele bom nos love rap, nas linhas pesadas, nas linhas debochadas, nas instrumentais e em mais de uma dezena de outros motivos que só irão fazer sentido para mim.

Capa de “M.Arte”, desenvolvida pela filha do rapper, a Ciça.

M. Arte“, realmente não é um disco bom para mim, a questão não é que as pessoas não entenderam, ele realmente é um álbum confuso, são 51 minutos e 13 faixas que acabam não tendo uma coerência. Depois desse disco eu pensei que o Slim iria abandonar o rap, até por que ele ficou meio ocioso com o lançamento de músicas após esse disco, isso me assustou.

Quando ele voltou com ótimos singles como “Primeira do Dia”, “Burla”, “Arte do Gueto” e “Game Rap”, eu realmente fiquei feliz e um sentimento de alegria me tomou por completo. Realmente eu tenho medo do Slim parar de fazer rap, seja hoje ou seja daqui 20 anos, é aquele egoísmo que você não tá nem aí de sentir. Você não quer que algo bom acabe.

Mr. Dinamite

É algo completamente diferente de tudo que o Slim geralmente faz, porém continua tendo aquela sua identidade inconfundível. Esse é um disco que de cara me agrada, até por ser algo curto, apenas 7 faixas e 18 minutos. Preciso contar mais uma historinha que envolve o Slim Rimografia.

Quando ouvi pela primeira vez a música “Passa Essa Noite Comigo“, tive ainda mais certeza de que o Slim é o meu artista favorito, parecia que a música tinha sido escrita relatando um momento da minha vida.

“Passa essa noite comigo / Dança esse som comigo (baby) / Se você quiser mais do que um ombro amigo / É nois, tamo envolvido”

Junho de 2017, eu disse basicamente essas palavras para uma mulher, dentro do carro, na frente do prédio dela, exatamente as 3h30 da madrugada. Tinha uma boate ao lado, com um som bem alto, tocava “Por Que Homem Não Chora” de Pablo. Eu realmente tava selvagem naquela noite, mas foi ela que entrou no meu carro com uma garrafa de catuaba embrulhada em um saco de papel. Mimada, mas naquela noite não, ela dançou pra mim em um pole dance…

Voltando para o disco, achei de ótima qualidade e me faz acreditar que o real Bruce Slim voltou, com muita qualidade em todo o disco, principalmente nas cinco primeiras faixas. As faixas número 6 e 7 estão em um nível um pouco a baixo das demais, porém as outras compensam. Slim sempre está em forma quando o assunto é boombap, mas mostra completa competência e qualidade no dancehall.

Todas as músicas foram escritas por Slim Rimografia, a captação, mixagem e produção também foram realizados por ele no Studio Mokado Records e a masterização ficou por conta de Luis Lopes no Studio C4.

Mr. Dinamite é o segundo título da série de EPs que ele mostra em 2018. SinGo, o primeiro, foi lançado em maio e adiantou a tendência moderna do MC. Slim prepara mais dois lançamentos para o ano, junto a clipes.

Com “Mr. Dinamite”, acho que Slim voltou de vez e de agora para frente ele vem forte para buscar o topo, do qual ele nunca deveria ter saído e merece estar. O nome Mr. Dinamite se trata de um alter ego criado pelo próprio rapper.

Ouça Mr. Dinamite: Spotify | Deezer | Google Play | Napster | YouTube

TRACKLIST DO DISCO "MR. DINAMITE":
1. Slv, Slim
2. Mr. Dinamite
3. Passa Essa Noite Comigo
4. Papo de Futuro
5. Briso em Você
6. Yeah, Beat $imples
7. Meu Rap É Meu Rap

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