Vai ter mulher na produção SIM, com vocês Giovana Prezoto

Hey pessoal, todo mundo por aqui ainda? Rs

Me desculpem o sumiço, os últimos dias foram um tanto quanto complicados e para fazer essa coluna eu preciso de inspiração. Ela estava meio ausente, mas agora já ta tudo certo, então, follow the baile.

Estou prestes a completar 25 anos, um quarto do século já se passou e eu me sinto feliz por estar aqui, realizando mais um dos meus tantos sonhos, podendo usar o dom da escrita para falar sobre pessoas que me inspiram a ser ainda melhor, me reconstruir diariamente em cada entrevista, tirar do peito umas coisas que todo mundo precisa ouvir, precisa conhecer, precisa se permitir.

Pois bem, para retomar de onde paramos, hoje eu trouxe uma mulher que porra, que mulher.

Uma mistura de loucura e sanidade, um turbilhão de sentimentos, sonhos e medos. Pra quem vê de fora, ela é só mais um rostinho bonito no meio da galera, mas para quem se permite ir mais além, trocar uma ideia sincera e franca, sem rótulos, sem pre-conceitos, sem expectativas, ela é muito mais que externo, ela é coração, é vontade, é prática.

Assim como os demais artistas e produtores que já passaram por aqui e muitos que ainda passarão, a vida também não foi fácil pra ela. São rasteiras atrás de rasteiras, choro atrás de choro, fé, muita fé.

Ela vem representando a Zona Norte de São Paulo, vem com seus 24 aninhos, muitas tatuagens e bagagem para dar e vender.

Ela é produtora artística, assessora de imprensa, compositora e atualmente trabalha na produtora DRT Company no qual produz a artista Leona Purple, integrante da cena do Pop nacional.

A mulher de expressões marcantes e únicas já participou de diversas gravações, produções e organizações com artistas renomados da cena do Rap Nacional como Haikaiss, ZRM, Urso (DMC) e Primeiramente. Ajudar os amigos foi o gatilho para que a produção fizesse parte da sua vida, e ela abraçou sem medo.

Tendo passado por agências de publicidade, telemarketing, lojas de shopping e promoter, a produtora também trabalhou com o pessoal da  Agência FINDKondZilla, Orange House e Baile do Leão.

A rotina da produção é louca e bastante imprevisível, com o passar dos anos a energia começa a ficar mais pesada, vem o cansaço físico, o emocional, o psicológico. Você vira uma bomba relógio, pronta para explodir.

Dentro da área de eventos ainda é um pouco mais fácil para se ganhar dinheiro, mas na produção independente as coisas não são tão fáceis, e isso ela sente na pele.

Quando começou a trabalhar com produção tudo era bem diferente, a cena não era tão “aberta” como é hoje para que as minas pudessem mostrar seu trabalho. A grande maioria das minas que trabalham nesse meio (assim como eu) sabem que hoje as coisas estão menos piores, já passamos dias onde era necessário se provar mulher, fazer com que sua voz tenha peso e principalmente que te valorizem por quem você é, e não pela roupa que veste ou por quem do meio você já se relacionou.

Ser produtora despertou nela tudo que todas nós sentimos na pele todos os dias, o lado materno aguça, afinal seus artistas são quase seus filhos rs, você se torna um pouca mais chata (ou como eu prefiro dizer, mais exigente). Você reaprende coisas básicas aquelas que fazem com que todo detalhe se torne total diferença.

A ausência do apoio da mãe, mesmo estando presente, por muitas vezes a fez pensar em desistir de tudo, mas o carinho e a admiração de amigos e profissionais da área sobre seus trabalhos e projetos a fizeram persistir nesse sonho que se tornou realidade e vem crescendo mais a cada dia.

Uffa, acho que falei demais neh kkkkkk

Deixo que agora ela mesmo fale de si, com vocês Giovana Prezoto:

Fala Memo: Quando você começou a trabalhar com produção e por que ?

Comecei a trabalhar com produção em meados de 2012 quando já trabalhava com eventos/shows, fazendo divulgação e organização. Pelo fato de conhecer bastante gente no meio da música, meus amigos que na época tinham iniciado a carreira, começaram a me pedir ajuda e indicações de pessoas pra participar dos clipes e ações, então comecei a participar e ajudar nos clipes desde o início, ajudar com ideias para roteiro, apenas por amizade mesmo e querendo sempre fortalecer a cena.

Fala Memo: Seu foco é produção artística, mas além disso quais outros trabalhos você desenvolve?

Além da produção artística também faço produção executiva, assessoria, produção e direção de videoclipe, casting, maquiagem, criação de roteiro, e eu também componho. Quando você começa a trabalhar com amigos, por parceria, você se torna meio que um “faz-tudo”, acaba aprendendo tudo e fazendo de tudo um pouco. De 2012 pra cá eu aprendi muita coisa. Em 2016 foi quando enxerguei que o que eu estava fazendo era realmente um trabalho, comecei a dar mais valor e consequentemente as pessoas também viram isso e começaram a elogiar e me contratar, de fato, pra produzir/criar/compor. Em 2016 até cheguei a gravar algumas guias de composições minhas.

Fala Memo: O que te motiva dentro desse cenário? Quem são suas inspirações?

Como todos sabem, o meio da música é um game complicado. Ninguém sabe das dificuldades que passamos antes de chegar nos resultados finais, que é o que o público vê. Então o que me motiva é o meu amor pela música, a fé em acreditar e realizar o sonho das pessoas com quem eu trabalho.

Agora, além do amor pela música, minha outra motivação com certeza é a Leona. Ela me inspira todos os dias, me motiva a ser melhor. Eu quero que ela seja a pessoa mais realizada desse mundo. Quero estar sempre com ela e torna-lá um ícone. Não só no POP, mas de um modo geral. Ela mesma corta e produz/estiliza as roupas delas, é super criativa, autêntica. Não vou falar muito, mas temos grandes planos de grandes negócios juntas.

Sobre inspirações, não tem alguém específico que me inspira, minhas referências vão da água ao vinho (hahaha) passando por Joey Badass, Flat Bush Zombies, ASAP Rocky, Chris Brown, Eminem, Charlie Brown Jr., entre outros. Eu pretendo criar algo novo com tudo o que me influenciou desde pequena e transformar assim minha essência.

Fala Memo: Quais são seus projetos a curto, médio e longo prazo?

Tenho alguns, hoje trabalho em uma gravadora (DRT company) onde dou uma assistência onde cada artista precisa. Mas hoje o meu foco principal na gravadora é a carreira da Leona, onde eu trabalho cuidando praticamente de tudo, desde a imagem até a produção dos clipes, etc.

Fala Memo: Qual seu maior objetivo com a produção?

Com a produção artística e executiva (que é o que eu faço hoje dentro da DRT), o objetivo é alavancar a carreira dos meus artistas e fazer com que eles cresçam. Mas creio que nunca vou “alcançar um objetivo”; porque minha meta real é estar em constante mudança/evolução. Então sempre que eu conquistar algo que estava nos planos, eu já vou atrás de outra conquista. Sagitariana cheia de sonhos, a gente não tá satisfeita nunca (hahaha).

Fala Memo: Afinal, quem é Giovana Prezoto?

Essa é uma pergunta muito complexa, eu não sei se consigo responder … mas basicamente, Giovana Prezoto é uma mulher cheia de sonhos, que foi motivada a crescer de tanto as pessoas duvidarem do meu potencial. A cada dia e a cada dificuldade eu fortifico minha essência, sei que tenho um longo caminho pela frente, mas o lugar em que eu me encontro hoje, já é algo que ninguém botava fé, então sigo focada. Transformei meus sonhos em projetos quando os coloquei no papel, assim eles não pareciam mais impossíveis, e principalmente agora que os vejo aos poucos sendo realizados um por um. Acredito que ainda farei parte de coisas grandiosas na minha carreira e na carreira de outras pessoas. Tenho muita fé.

Para mim como mulher e também produtora é incrível achar e conhecer outras das nossas, mulheres muitas vezes hiper sexualizadas e desvalorizadas pelo simples fato de serem mulheres, mas ver que mesmo em meio a tanta desigualdade continuamos resistindo e realizando nossos sonhos, ocupando espaços até então predominantemente machistas é sinônimo de força, de luta, é a prova de que estamos aqui, produzindo e se fazendo presente na cena.

Estar com a Giovana me proporcionou uma quebra de paradigmas e pre conceitos ainda existentes em mim que precisavam ser desconstruídos (e ainda estão sendo) e que após essa conversa franca e totalmente pessoal me fez perceber o quanto nós mulheres ainda encaramos umas as outras como rivais, como nós julgamos a outra por simplesmente achar coisas, mas sem nos permitir sentar e ouvir, ter empatia, se ver no outro e pensar: e se fosse comigo?

Nós (quando digo nós me refiro a todas as mulheres) não somos rivais e nem precisamos ser, falta sensibilidade por parte das mulheres em enxergar a próxima como parceira, em entender que um problema que até então nós pensamos ser apenas nosso é algo coletivo e principalmente a aprender que juntas somos mais forte e que nós precisamos uma das outras para que a luta seja mais fácil e mais válida, afinal, se depender dos caras (não todos, mas uma grande maioria), vamos continuar na mesma, eles no topo e nós nas sombras.

Foi um prazer conhecer melhor a produtora e principalmente a mulher que é Giovana Prezoto, foi um prazer me permitir vê-la de formas diferentes do qual eu julguei um dia sem ao menos conhecê-la.

A Giovanna provou para si mesma e para quem duvidava de que é possível, mesmo com todas as dificuldades continuar sonhando, fazendo com que as coisas sejam reais, fazendo com que as pessoas conheçam nossos trabalhos e nos respeitem acima de tudo por sermos quem somos, da forma que somos e fazendo exatamente tudo (e mais um pouco) do que qualquer homem faz, é a meta.

Agradeço a Giovana pela entrevista, agradeço por termos nos permitido nos conhecer melhor e principalmente por termos criado um vínculo não só profissional, mas de amizade, e eu agradeço por toda essa troca.

A próxima matéria vem daqui alguns dias (EU PROMETO), e os próximos entrevistados são os meninos do selo Rancho Montgomer, Tadeu Msour e Eloy Polêmico, aguardem.

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