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Baco e Rincon Sapiência encerram 2017 em show histórico no Circo Voador

1º de Dezembro, Circo Voador, Lapa. A fila se estendia por baixo dos Arcos, que assistia todos emocionados e ansiosos para o show de grandes figurões do rap em 2017. Tanto Baco Exu do Blues quanto Rincon Sapiência tinham lançado seus discos recentemente e eram enormemente aguardados nesta noite.

Antes mesmo da meia-noite, o carma da cena era anunciado ao palco com bastante gente ainda do lado de fora, o que agitou a entrada. Era noite das mais cheias no Circo Voador. Assim que foi chamado, o público já delirava e conseguiu dobrar a empolgação com a entrada de Baco do Exu Blues. “Esú” e “Abre Caminho” são nomes realmente simbólicos para o artista, por que de fato, todos os presentes estavam abertos para ouvir o repertório de um dos CDs mais aclamados do ano.

Escrevi essa música (Oração á Vitória) porque queria foder todos os racistas. Depois de cantar essa música, sempre fumo um cigarro pra lembrar que eu fodi todos eles.

O show já começou cheio energia e se manteve assim, até o fim. Baco não parava de gritar, o público não parava de cantar e os mais agitados não largavam o bate-cabeça. Alternando com discursos entre algumas músicas, Baco comprovou porque ele puxou as rédeas do “movimento” do Ano Lírico. Todas suas músicas ficam mais significativas quando exclamadas a plenos pulmões, junto com o telão das belas imagens do CD “Esú“.

Assistindo ao show, era impossível deduzir que ele era um artista de exposição recente. Todo o movimento da noite apontava o movimento de artistas consagrados, com discografia longa. Esù saiu este ano e já possui uma coleção de sucessos, rompendo até barreiras para fora do Rap.

O ponto alto da noite, claro, foi “Te Amo Disgraça“, que logo na entrada da música todos já se emocionaram. Baco estava feliz, o público estava feliz, o rap estava feliz. Como se não bastasse todos colaborando para o momento, subiram ao palco Jeza da Pedra, Ventura ProfanaMC Catennm. Artistas que abriram o evento, lembrando a todos nós que ainda é necessária a resistência negra e trans, nos dias de hoje.

Todos podem dividir o maço e amar sua disgraça. Ao fim, o repertório que incluiu quase o CD inteiro, pareceu pequeno. Todos comentavam que tinham ânimo para mais um show.

Se Baco conquista pela energia, Rincon conquista pela experiência. Sabe guiar o show como um profissional, ou melhor dizendo, um MC. Ele mostra que o rap pode ser um espetáculo no palco e que a exposição recente é recheada por excelentes sons. Sons que todos entoavam de cor e eram impactados com a belíssima apresentação.

A banda que acompanhou Rincon mostrava ao vivo, o motivo da escolha, e como o “Galanga Livre“, só faz jus se for acompanhado de instrumentos. Como um bom mestre de cerimônia, ao final, todos foram convidados para subir ao palco e cantar “Ponta de Lança” junto com Rincon.

A noite acabara cedo, porém deixando todos satisfeitos de terem visto um concerto histórico na clássica casa de shows carioca.

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