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Nyl MC e o grito da rua na faixa ‘Afronta’

Vivências, experiências absorvidas ao longo do nosso cotidiano são temas para a arte, pois já que vivemos, que seja para aprender, que seja para cair, levantar e passar para as gerações futuras um legado, pois cada grito é uma arte e nossa arte é o maior tesouro.

Nyl MC é um rapper carioca, da Zona Norte e além das rimas atua como produtor cultural e comunicador popular, dialoga com a cena do rock e do funk, vindo de uma série de trabalhos e projeções espontâneas, passeando entre a raiz e o acessível, compartilhando essências com o mundo ao seu redor.

Batemos um papo com o artista sobre o seu último lançamento, intitulado de “Afronta“, você confere tudo aqui, nessa entrevista exclusiva para o RND.

1 – Tudo tranquilo Nyl? O seu trabalho está incrível, nos diga como foi o seu processo criativo para a música “Afronta”?

De boa! Muito obrigado. É um trabalho que a muito tempo queria realizar, tanto a música como o clipe. Nessa música consegui mostrar muito das minhas referências musicais de matriz africana e expor a minha visão sobre pretitude, em um tom sério e agressivo. É realmente a transpiração dos conflitos, das guerras internas, que passam pela minha pele e de vários irmãos e irmãs.

Para o clipe, eu me inspirei bastante no próprio cinema negro brasileiro: Elekô, Kbela e Alma nos Olhos. Com algumas provocações da Janaína Oliveira, contribuições do Tata Boeta e o olhar de edição/direção da Priscila Martinho, chegamos nesse trabalho lindo.

2 – A identidade visual está impecável, cá entre nós, bastante em voga atualmente não acha? O que você acha sobre o discurso que vem sido implementado com força dentro do rap da galera aqui da norte?

Total. Hoje em dia vivemos na era do hiper estímulo: são muitas telas e muitas abas de navegador e para prender a atenção da pessoa, o visual precisa ser muito bem trabalhado. Porém, não adianta se o restante do conteúdo não tiver o mesmo impacto.

O Rap no Brasil tem produzido e lançado bastante conteúdo e na ZN do Rio não é diferente. Muita gente boa, as minas tão vindo pesadas também… Diversas falas e olhares.

Uns se preocupam mais com habilidade do que com discurso. E pouquíssimos se preocupam com a prática desse discurso. O que acontece em qualquer meio musical, não só no Rap. O mais importante é ser sincero com o que se fala e o que se faz. Dá menos trabalho e flui mais natural. Seja pra falar de festa, falar de luta, falar de sexo… Aliás, isso tudo faz parte da vida, né?

3 – Continuando sobre a identidade visual, como foi trampar com essa equipe? Você já vinha há algum tempo trabalhando com alguns que fizeram a “Afronta”?

Sou muito grato pela galera que somou nesse trabalho. Uma equipe majoritariamente preta, favelada, periférica e que acredita que a arte pode ser mais do que entretenimento, sem abrir mão de ganhar dinheiro. Acho importante não ficarmos só no discurso e incluir essas pessoas nos meios de produções, poder fomenta-las e criar conexões entre elas.

A galera da Berro já trabalha comigo desde o clipe da “Swinga Remix“. São muito brabos no que se dispõem a fazer. Rodrigo Pinho e Tata Boeta são grandes produtores culturais do Rio. Com todos que se envolveram, há uma admiração e identificação muito grande e que se intensificou muito mais.

4 – O liricismo está impecável, o instrumental também, como foi a parceria com o Gabriel Marinho e a finalização do Row G?

O Gabriel Marinho é um dos melhores produtores musicais do Rio. Ele circula por vários meios, toca com muita gente e isso se reflete nas produções dele. Nos conhecemos na Lapa, na época do CiC da Fundição Progresso e sempre ficávamos de trabalhar juntos e acabava que não rolava. “Afronta” foi esse trabalho.

DJ Row G já trabalha comigo há pelo menos 5 anos. Ele fundou a NovaBlack e me chamou pra integrar o selo. Devo muito a ele pelo aprendizado e por conseguir tirar o melhor de mim nas músicas. Ele tem um cuidado muito grande na hora de mixar e masterizar. Fico feliz de poder ter juntado esses 2 monstros pra nessa track!

5 – Para terminar mano, como estão os novos projetos, o que tá vindo para gente esse ano e em 2018?

Então, muita coisa rolando. Estamos preparando mais clipes, disco novo, mais singles do Olola Fa e algumas participações também.

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